Os manequins deram para engordar nas vitrines.
E a novidade obrigou os lojistas a fazer lipo em tecidos mortos.
Só que as células recrudescentes, insistentes, já estavam lá de novo.
E o fenômeno subversivo prejudicou as vendas no verão.
O estoque ficou comprometido. O culto, vilipendiado.
Alterou-se a angulação das matérias da estação.
E o conteúdo sobre a forma, como ficaria então?
Nos corredores, já impregnados de adiposas feições,
Os modelos adornavam um árduo desfile diário,
Onde a banha tornava mais plausível nossa utopia.
Era um rococó retroativo na passarela de despropósitos. Lambrequins…
Confeitos nesses novos manequins, contra a rotina escura.
Causas contra efeitos de uma dura arquitetura.
É um novo tempo ou sempre foi assim?
É um movimento ou sempre foi assim?